Os efeitos do golpe sobre os mais  pobres no país são devastadores e na medida em que são divulgados estudos e dados, o cenário é ainda mais dramático. Só no primeiro trimestre de 2018, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados na semana passada pelo (IBGE), a renda média mensal dos 20% mais vulneráveis do país caiu de R$ 400 para R$ 380 quando comparada à de janeiro/março de 2017.

É uma queda real de 5%. Para a camada seguinte, a perda de rendimento foi de 1,8% em igual intervalo, de uma média de R$ 963, para R$ 945. Enquanto os 40% mais pobres sofrem, os 20% mais ricos viram seu ganho médio mensal passar de R$ 5.579 para R$ 6.131, com aumento de 10,8% no mesmo período.

O cenário é ainda mais desolador quando se olha para a mortalidade infantil: estudo da Fiocruz mostra que o congelamento de gastos no Bolsa Família e Estratégia de Saúde da Família terão impacto direto na mortalidade de milhares de menores de até 5 até 2030: serão quase 20 mil crianças cujas mortes estão decretadas pela política do golpe.

O estudo sobre a acelerada concentração renda este ano foi realizado pelo economista Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) e publicado no jornal Valor Econômico. “O que está acontecendo é o seguinte: as classes média e alta do Brasil estão conseguindo recuperar a renda do trabalho, só que a base da pirâmide ainda está amargando perdas”, afirmou Duque.

Para que se tenha uma ideia do grau de concentração de renda no país, o economista da FGV optou por retirar da amostra um milionário cuja renda muito alta por si só impacta a leitura dos dados da Pnad. Segundo Duque, ao entrar na pesquisa da PNAD Contínua do último trimestre de 2016, esse multimilionário provocou um aumento nos indicadores da desigualdade. De igual maneira, ao sair da amostra no primeiro trimestre de 2018, provocou uma melhora artificial nos indicadores de concentração de renda.

A informação sobre as mortes de crianças estimadas em decorrência do congelamento estabelecido pelo governo Temer foi divulgada nesta terça-feira pela revista científica norte-americana PLoS Medicine (leia aqui). “Quando você congela os gastos, ou seja, os ajusta de acordo com a inflação, você não consegue manter o nível de proteção social que você tinha antes”, diz Davide Rasella, do Instituto de Saúde de Coletiva da Universidade Federal da Bahia e principal autor do estudo.

Com Informações e Imagem: Brasil 247

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