Na virada do século, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) fez um concurso com seus ouvintes: “Quem foi o brasileiro do século?” O jogo da TV de Silvio Santos não era apenas lúdico.

Por trás da diversão o SBT estava propagando de maneira sutil a ideia de que a história é feita por indivíduos que se destacam dos demais e vencem na vida. No SBT o brasileiro do século foi Airton Sena.

Agora a rede Globo cinicamente indaga sobre “que país nós queremos para o futuro?” Como o futuro não existe, a pergunta da Globo empurra a questão nacional mais para adiante. Como sempre.

A família dos Marinho, entre as mais ricas e privilegiadas do Brasil, pretende passar a ideia de que suas empresas têm compromisso com o país melhor para se viver. Ao mesmo tempo ilude sua audiência que acredita estar contribuindo para que isto seja alcançado.

Não caberia às organizações Globo, uma afortunada “catedral” edificada na sustentação ao regime autoritário, explicitar honestamente o que querem do Brasil e se expor ao debate? (É tolice querer isto da família Marinho, não é mesmo?)

Mesmo sendo um território de contradições, a grande mídia brasileira, Globo à frente, é o principal instrumento de difusão de uma visão de mundo que sustenta e reproduz a história de um dos países mais injustos que se pode imaginar.

Os raros e curtos períodos de enfrentamento às arraigadas injustiças e discrepâncias econômicas e sociais  foram virulentamente desestabilizados e inviabilizados por golpes políticos apoiados pelas maiores empresas de comunicação.

Falando sério, não caberiam perguntas existenciais sobre o país? Não caberia fazer um jornalismo analítico que auxiliasse as pessoas na reflexão sobre o Brasil? Não caberia um debate plural sobre diversas questões nacionais?

“Para que somos um país?” – Esta não seria a primeira pergunta para motivar a população a participar da construção dos diferentes projetos de sociedade? Por que esta questão fundamental e constituinte permanece amordaçada?

Sem oportunidades para aprofundar o pensamento sobre as causas dos mais graves problemas que a população vê (ou não vê), como as pessoas vão contribuir com a formulação de saídas para resolver as injustiças históricas?

Aliás, como crer que podemos ser um país justo se não tivermos esperança nisto? Como participar do debate nacional com a mídia mantendo o discurso único sobre o mundo e o Brasil? Como construir saídas se a política está sendo negada pela mídia?

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