Há poucos anos, bem recentemente mesmo, o Brasil era admirado no mundo todo pelo combate à fome, pelo quase pleno emprego, pela expansão dos números da educação técnica e universitária, pelo programa Mais Médicos, Luz Para Todos, das obras estruturantes.

O Brasil tinha dado um salto na produção de riquezas, saindo do 15º lugar no PIB para o 7º lugar entre os países mais ricos do mundo, com uma sinalização importante: uma política de redistribuição de renda e redução das desigualdades sociais e econômicas.

Um país quebrado, ajoelhado diante do Fundo Monetário Internacional fez uma reviravolta, tornou-se credor do FMI e acumulou reservas de 374 bilhões de dólares. O Brasil olhou para o Sul do planeta e o Sul criou o BRICS para outra inserção na ordem mundial.

O Brasil do BRICS e do Pré Sal. O Brasil da Lei Maria da Penha e do Estatuto dos Idosos. O Brasil das cotas nas universidades. O Brasil da política de valorização do salário mínimo. O Brasil do PAC e do emprego. O Brasil do Caminho da Escola e do Pró Infância. O Brasil do SAMU e das Upas.

O Brasil que elegeu um operário para a presidência da República, um homem que não sabia inglês. O país que elegeu uma mulher, ex-guerilheira, mãe e avó, divorciada.

Estava tudo errado! – E o gigante acordou! O gigante viu o abismo. O gigante se jogou no abismo. O gigante zumbizou.

Sem comida não há vida. Agora são quase 30 milhões de brasileiras e brasileiros amargando no desemprego e no subemprego. O país retrocede e caminha para ocupar o seu lugar no mapa mundial da fome.

Cerca de 6 milhões de famílias brasileiras ainda não tem casa própria. O programa Minha Casa Minha Vida, que já entregou 3,7 milhões de casas e apartamentos, é o alvo preferido dos detratores do Estado brasileiro. A torcida que torce contra quer sepultá-lo.

O país bate seu próprio recorde de homicídios de mais de 60 mil assassinatos por ano e ocupa o primeiríssimo lugar no desonroso podium: tem a polícia que mais mata e que mais morre no mundo. Sem perspectivas, o tecido social vai se esfarelando rumo à barbárie.

Doenças como o sarampo, que pareciam extintas deram às caras recentemente. O número de óbitos por causa do H1N1 cresceu 200%. A mortalidade infantil viceja outra vez entre nós. Sarampo mata na Amazônia. PEC do Teto e retrocessos nos programas de vacinação.

Outras doenças do Golpe contaminam o país: o medo, o ódio, a indiferença, a desesperança.

Sem perspectivas, é cada vez maior o número de pessoas que admitem ter desejo de migrar para outros países, de preferência para os EUA ou a União Europeia. – Só que esses “paraísos” não nos querem.

É a crise. Mas o lucro dos 3 maiores bancos privados chegou a 54 bilhões de reais em 2017. E os 6 homens mais ricos do Brasil detêm um patrimônio equivalente a tudo o que possuem as 100 milhões de pessoas mais pobres do país.

Faltou radicalidade no projeto de “Brasil para todos”. Faltaram as reformas estruturais para dar sustentabilidade ao propósito de Brasil com dignidade para todas e todos. Faltou a narrativa para enfrentar a narrativa do Golpe. Faltou política contra abutres, aves de rapina e de mau auguro.

É a sina? É não! É a política! Nem bem tomou rumo, o país foi golpeado de morte. Mas o país está vivo. O país tem fraturas, mas está vivo. O país resiste e há de se levantar. – Chegou a hora!

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