Na sociedade do espetáculo (conceito construído e esmiuçado por Guy Debord em 1967), os espetáculos se acumulam e precisam ser atualizados constantemente.

O espetáculo da hora no Brasil diz respeito às denúncias de corrupção contra o outrora moralista Aécio Neves, político mineiro que em 2014 disputou a presidência da República e foi derrotado por Dilma Vana Rousseff.

Na campanha daquele ano Aécio decretou que a derrota do PT seria o fim da corrupção no Brasil.

Agora Aécio senta no banco dos réus por denúncias de corrupção.

Eu desejo para Aécio Neves um julgamento justo.

Que o Direito seja a meta, meio e fim na ação em que ele é réu.

Que ele continue sendo considerado inocente ao menos que se prove o contrário.

Que ele não seja vítima da caça às bruxas que se instalou no país, que ele não seja demonizado.

Que o ministério público não se valha de um powerpoint contra ele, caso não tenha provas da denúncia.

Que os juízes sejam juízes e não militantes políticos, que sejam discretos, que não sejam covardes e nem busquem o estrelato.

Que a Constituição do Brasil e o Código de Direito Penal sejam resgatados, que não sejam rasgados por quem tem que observá-los.

Que a mídia não faça contra ele uma execração nem forje a sua condenação antecipada pela opinião pública.

Que o seu processo não tenha o ritmo acelerado por conta do calendário eleitoral.

Que ele tenha amplo direito de defesa e que as suas conversas com os seus advogados não sejam gravadas por juízes e policiais fora-da-lei.

Que o seu julgamento não seja um espetáculo, que ele não seja exposto à humilhação, que sua família não seja ridicularizada.

Que ele seja julgado pela denúncia que há contra ele e não pelo “conjunto da obra” a ele imputado.

Que ele não seja condenado apenas porque a Justiça quer mostrar que é apartidária, isenta, imparcial e neutra politicamente. – Nós sabemos que não é!

Que seu processo transite normalmente até a ultima instância da Justiça e que, caso ele venha a ser condenado, só seja preso após o trânsito em julgado.

Que, caso ele venha a ser condenado, não seja por suas convicções políticas e ideológicas e que ele não venha a ser um preso político.

Que, caso ele venha a ser condenado, que não seja motivo de escárnio, que ninguém comemore a sua condição de apenado.

Que ele não seja vítima da criminalização da política, mesmo ele sendo culpado pelo fracasso da democracia brasileira que ele ajudou a destruir.

img advertisement
img advertisement
img advertisement