Opinião, jornalismo, informação, comunicação, tudo isso têm lado, para além da pretensão de verdade e fidelidade aos fatos. – Aliás, o que são mesmo os fatos, se não crivados pelas escolhas, pelos olhares, pelas subjetividades e interesses?

Ver a retomada do projeto dos que fazem o site “nomeucariri” nesta perspectiva: fazer comunicação e construir comunicação tomando partido, assumir de que lado se está numa sociedade marcada pela desigualdade, injustiças e pelas diferenças.

Como o mundo vai muito além das dicotomias, que assim seja o sítio “nomeucariri” agora renovado e revigorado. Que seja contraditório, incoerente, paradoxal, incerto, instável, fluído. Que seja devir. Que seja ácido. Mas com o engajamento na possibilidade de um mundo melhor.

Não se fale de objetividade, de neutralidade, imparcialidade e cinismos do mesmo gênero. O imperativo aqui é assumir-se e botar a cara: Que mundo nós queremos? Para que somos um país? O que anunciamos?

Pode-se até conjugar no subjuntivo. Melhor ter incertezas e dúvidas do que cânones cristalizados. Mas, que as aspas não sejam subterfúgios. Que não sejamos covardes nas opiniões. Não falemos na terceira pessoa senão por opção literária.

A narrativa é mais do que nunca o grande território da luta social e política. Como dizem os versos, “nada de fugir da raia” ou “nada a temer senão o correr da luta”.

Escrevamos sobre coisas difíceis de lidar. Drogas. Violência. Machismo. Racismo. Sexismo. Homofobia. Intolerância religiosa. Direitos Humanos. E sobre a mesmice a superficialidade.

Tratemos do que está silenciado e naturalizado. As desigualdades sociais e econômicas. A sonegação tributária. O discurso único. O capital financeiro. O consumo. A ciência e o progresso. O autoritarismo.

Desmitifiquemos a mídia e o fetiche da mídia. Denunciemos a notícia e aquilo que não é notícia. – O que está por traz do texto, do microfone, da câmera? O que pretendem? O que confessam? O que escondem?

A notícia aqui pesa pouco. A opinião importa mais. Que seja a missão do beija-flor, mais um beija-flor que não desiste de apagar o incêndio que dizima a floresta.

Salve “nomeucariri”. Salve! Salve!

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