Não se pode olvidar um segundo sequer dos difíceis momentos contemporâneos suportados, que solapam o estado democrático de direito, abatem nosso projeto de nação, atacam os direitos civis e ferem de morte a soberania de um povo.

Nessa linha de raciocínio se externa um dos grandes problemas de nosso país, qual seja, a grave crise institucional, moral e ética que atinge o seio do poder judiciário.

A nobre função de julgar nunca esteve tão em xeque. A justiça perde força e confiabilidade, na opinião não só de juristas renomados e de vasta experiência profissional, mas também, perde progressivamente a credibilidade aos olhos do termômetro social. Considerável parte da população não confia minimamente nas decisões do judiciário, observam nelas forte parcialidade e maniqueísmos de todas as ordens.

Privilégios, poder, elevados salários e amizades altamente questionáveis de membros do poder judiciário com políticos, dirigentes de partidos e partes envolvidas em processos que estão sobre o comando dos seus julgamentos, este é o pantanoso cenário. A crise é de tamanha proporção, que a ferida altamente aberta, jorra para sociedade claramente a falta de compostura e zelo pela legalidade. Não se esconde mais o imponderado, tudo é muito claro, se passa por cima da lei e se demonstra que se tem um “lado”, e tenham certeza, este lado não é o do povo.

Vos escrevo este pequeno ensaio textual, depois de um café, onde fazia uma leitura do tenebroso momento vivido em nossa nação, após observar uma foto de um certo “juizeco” brasileiro( perdoem-me a deselegância verbal) que recebe alcunha de “herói nacional” por parte de alguns incautos, e nesta foto, estava o dito magistrado, pousando mais uma vez ao lado de dirigentes políticos da direita mais reacionária que há no país, e como sempre, nos altos salões da elite dirigente brasileira (dirigente-que não dirige nem a própria vida).

É esse pessoal que irá julgar nossa vida? Julgar nosso futuro de nação? Analisar nosso cotidiano complexo, repleto de assimetrias sociais e políticas? A quem recorrer contra a ditadura da toga tupiniquim? Fica a reflexão. Contudo, sou esperançoso imutável, prefiro manter a crença na justiça no enfrentamento às arbitrariedades. A velha frase nunca foi tão atual: “Ainda há juízes em Berlim! ”.

MARCONDES PINTO

Marcondes Pinto é Procurador-Geral do Município de Barra de São Miguel-PB, advogado atuante na seara criminal, ex-presidente da Comissão de Direito Penal da OAB Caruaru-PE e militante político.

Com informações e imagem do ParaíbaMix

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