O conceito de meritocracia ganhou notoriedade no Brasil nas falas de Aécio Neves quando era governador de Minas Gerais e se referia ao funcionalismo público estadual. – Balela!

Certamente ele leu algum discurso de Tony Blair, ex-primeiro ministro inglês, um trabalhista de fachada que abraçou a agenda neoliberal.

O que dizem os defensores da meritocracia? Que os competentes se instalam. Que as pessoas ascendem por mérito individual. Em suma, que as conquistas são pessoais.

Nem Tony Blair nem Aécio Neves entraram em contato com a obra de Michael Young, sociólogo britânico que em 1958 cunhou o termo “meritocracia”, mas como uma sátira.

Michael Young ironizava uma sociedade distópica onde a elite recorria a testes de QI (quociente de inteligência) para determinar o futuro profissional dos estudantes.

Na verdade Young à época já desferia sua crítica ácida ao sistema educacional inglês que utilizava os testes de QI com as crianças. – Falsa ciência.

Meio século depois o conceito aterrissou no Brasil, mas deturpado. E nos anos mais recentes foi abraçado acriticamente por certa classe média patrimonial e/ou “instruída”.

Insatisfeita com a ascensão dos mais pobres, a tal classe média se viu ameaçada em seus símbolos de diferenciação social: carro próprio, curso universitário, viagens de avião, central de compras.

O seu mal-estar com o incipiente bem-estar do povo foi cultivado pela grande mídia corporativa – Globo à frente seguida de Veja – e suas correias de transmissão.

O meritocrata “esclarecido” é deslumbrado. Ele lembra apenas do esforço pessoal no vestibular ou no ENEM ou em um concurso público. – Louros ao sucesso individual.

Gosta de falar sobre méritos pessoais. Mas estudou em universidades públicas e esquece que é o Estado que custeia as melhores universidades do país e os empregos públicos.

Exerce o poder, no serviço público, na Justiça, nos parlamentos, nas empresas estatais e privadas. Esquece que a população mais pobre paga o maior quinhão dos tributos indiretos do país. Esquece que operários e consumidores bancam os lucros das empresas.

Tem o olhar voltado para cima, onde estão os 10% mais ricos. É facilmente manipulada pela elite, pensa como a elite, sem ser elite. Bate panelas quando a elite quer. Veste o uniforme da CBF quando a elite quer. Vai às ruas quando a elite quer.

Deu sustentação ao Golpe que destroçou o país. Dois anos depois, anda sumida. Não pega em panelas. Não grita na varanda. Não tem interesse na Copa no time da CBF.

A meritocracia “esclarecida” defecou, ferrou o povo e finge que não tem culpas.

Classe média GloboNews. Serva da elite. Paupérrima de espírito.

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