Com Lula preso ou impedido de se candidatar, o processo politico estará castrado. Nenhum outro candidato tem a força indispensável para enfrentar a brutal ofensiva da direita contra a democracia, contra os direitos da massa da população e contra a soberania popular“, escreve o sociólogo Emir Sader

Colunista do 247, Emir Sader é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros

Emir Sader – Não adiantam as especulações sobre o espólio de Lula. Não haverá espólio simplesmente porque ou Lula participa diretamente na disputa presidencial ou não haverá democracia no Brasil. Com Lula preso ou impedido de se candidatar, o processo politico estará castrado. Nenhum outro candidato tem a força indispensável para enfrentar a brutal ofensiva da direita contra a democracia, contra os direitos da massa da população e contra a soberania popular.

A prisão de Lula completa o golpe, que derrubou Dilma Rousseff e tenta tirá-lo da vida política nacional. Prendê-lo foi a forma mais direta de impedir que ele siga suas pregações por todo o país, como único líder político que faz isso em escala nacional, diretamente, em todos os rincões, para todos setores populares. Essas pregações são indispensáveis para o combate à alienação da massa da população, à sua falta de organização, falta de representação política.

A retomada das Caravanas é condição indispensável para derrotar a direita golpista, seu governo e suas politicas antipopulares, antidemocrática e antinacionais. Para isso é fundamental, é requisito indispensável a liberdade imediata do Lula.

Não haverá derrota do regime de exceção, se a perseguição ao Lula não for revertida. Se Lula nao for libertado e puder ser candidato. E só com a liderança do Lula e sua capacidade de mobilização popular, será possível essa derrota.

A direita conseguiu reverter a situação politica de maneira violenta e brutal. Derrubou uma presidenta reeleita e prendeu o Lula. Ninguém pode garantir que estará a salvo desse tipo de operação, se fizer parte, de uma ou outra forma, da esquerda. Ciro Gomes comete erro irreparável ao colocar sua candidatura supostamente acima da luta pelos direitos do Lula. Aparece como um individualista, que só pensa na sua carreira. Dane-se a democracia, dane-se o Brasil. Está irremediavelmente condenado ao anonimato. Não tem a confiança da esquerda e tampouco da direita.

Os que se jogam na luta pela libertação do Lula, incluído a Manuela e o Boulos, se situam no campo popular, mais além das suas ambições como candidatos. Sabem que o futuro das forças democráticas, tanto os partidos, quanto os movimentos sociais, se joga agora e através do destino do Lula.

No Chile, por exemplo, os setores mais radicalizados da esquerda, em particular o MIR, acreditavam que, com o golpe que finalmente derrubou a Salvador Allende, o espaço da esquerda ficaria livre para eles. Se equivocaram radicalmente. A repressão não poupou a ninguém – partidos, grupos políticos menores, sindicatos, movimentos sociais, impondo uma brutal derrota à toda a esquerda.

O lawfare se exerce da forma mais escandalosa contra o Lula. Já não há mais Estado de direito. O que há são conveniências politicas, como o voto da ministra Rosa Weber escancarou. A impunidade de Sergio Moro é o fim do Judiciário no Brasil. Enquanto ele continuar a fazer o que bem entender, da forma mais arbitrária possível, fazendo das atribuições que ele reivindica instrumento do seu poder pessoal.

A velha mídia segue comportando-se da forma canalha como sempre. Passou a ter como seu objetivo fundamental participar da perseguição ao Lula. Não importa se com isso se destrói a democracia no Brasil. Elas não vivem de democracia. Colocam o pouco prestigio que ainda tem às infâmias contra o Lula e contra o PT. Se considera vitoriosa pela derrubada da Dilma e pela prisão do Lula. Se condenam definitivamente ao repudio de todos os que prezam minimamente a democracia. Fracassaram em construir uma candidatura com um mínimo de apoio popular e se contentam em tentar manter o Lula fora da disputa eleitoral.

No Congresso, os chacais só pensam na sua reeleição. Abandonam o governo e seus projetos, sabem que não serão ninguém e podem até ser presos, se não preservam seus mandatos. Reduziram o tempo de campanha para dificultar ainda mais a renovação do Congresso. São ratazanas que tem ser repudiadas o tempo todo durante a campanha eleitoral.

A luta pela libertação do Lula e pelo seu direito a ser candidato é a luta de todas as forcas democráticas, conscientes de que não haverá democracia no Brasil sem Lula, livre e candidato a presidente.

Com informações e imagens do Brasil 247

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